quinta-feira, março 31, 2005

Só há um problema para o homem e mil formas de o iludir. Só uma solução para o problema e mil formas de o iludir.E depois? e DEPOIS? Após todos os combates e raivas e esperanças, pergunta sempre «e depois?». Atinge o teu limite, suor e sangue na caminhada, o suor e o sangue que te diz a importância do caminhar, e quando chegares ao fim, pergunta sempre ainda «e depois?». Pergunta na humildade ou aos gritos, em desespero. Mas pergunta sempre. Todas as motanhas as mais altas, toas as esperanças as mais difíceis, todos os caminhos os mais longos. Que em tudo isso te realizes no maior clamor do triunfo, mas que ao fim perguntes ainda.

Vergílio Ferreira in Alegria Breve

quarta-feira, março 23, 2005

Sento-me ao sol, aqueço. Estou só, terrivelmente povoado de mim. Valeu a pena viver? Matei a curiosidade, vim ver como isto era, valeu a pena. É engraçada a vida e a morte. Tem a sua piada, oh, se tem. Vim saber como isto era e soube coisas fantásticas. Vi a luz, a terra, os animais. Conheci o meu corpo. Tem mãos, pés, nove buracos. Meteram-me nele, nunca mais o pude despir, como um cão à cor do pêlo que lhe calhou. É o meu corpo grande, um metro e oitente e tal. É o meu corpo. Calhou-me. Movo as mãos, os pés, e é como se fossem meus e não fossem. É extraordinário, fantástico, um corpo. Com ele e nele tomei posse e conhecimento de coisas espantosas. Não seria uma pena não ter nascido? Ficava sem saber. Dirás tu: de que te serve se amanhã já não sabes? É certo. Mas agora sei. De que te servem os prazeres que já tive e nunca mais poderei ter? Não servem de nada, serviram.

Vergílio Ferreira in Alegria Breve

quinta-feira, março 03, 2005

Acentos

Apesar de ainda serem nove meia da noite estou cansado! A verdade é que me apetecia escrever no computador novo, e escrever com todos os acentos e cedilhas que dão mais autencicidade à nossa língua. É frustrante tentar escrever o prórprio nome e não conseguir pôr o acento que faz com que o meu nome seja o correcto e não uma adaptação a uma lingua que é o reflexo da alma deste povo Dizem que é a pátria de Shakespeare, mas a verdade é que! A tradução arrica-se a soar melhor do que o original.
Quero escrever palavras que tenham o máximo de acentos possíveis. Sei que há uma regra na língua portuguesa que diz que uma palavra não pode ter mais do que um acento, mas a verdade é que me apetece que tenha, apetece-me que tenham acentos em todas as sílabas, acentos graves, acentos agudos, acentos cincunflexos e o til que me faz lembrar as ondas de um mar que a minha vista não alcança. Estou numa ilha e nem o mar consigo ver...